quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O 2º ATO


Não dá pra dizer que O Teatro Mágico é meramente uma banda, suas apresentações que misturam dança, poesia, música, dramaturgia e números circenses deixam claro que o termo não é apropriado para definir esse grupo artístico de grande influência no cenário cultural independente. A trupe (como eles se autodenominam) é liderada pelo ator, cantor e compositor Fernando Anitelli que revela ter idealizado o projeto a partir de sua própria vivência nos saraus paulistanos. Com sua sonoridade peculiar, o Teatro Mágico faz, hoje, uma MPB rara e de muito bom gosto. Aliás, a sigla que nomeia o gênero musical também serve para intitular um outro projeto do qual são precursores: é o  Música Para Baixar - um trabalho de disponibilização de música gratuita na internet. 

Para nós, a relevância das composições do 2º Ato, o segundo álbum do grupo, é o que justifica figurá-lo por aqui. Por exemplo, a faixa "Pena" problematiza a questão da mercantilização da arte em nossos dias. Já a "Cidadão de Papelão" aborda o social, a dor de quem vive à margem de uma sociedade, hipocritamente cheia de candura. Em "Xanéu nº5" temos uma crítica à programação televisiva; e sua capacidade de anestesiar pessoas, que, sem saber, perdem suas vidas sentadas no sofá. "O Mérito e o Monstro" traz o corre-corre capitalista a que estamos condicionados; muitas vezes o desprazer de um trabalho massante e sem sentido, que solapa o viver. Uma poesia riquíssima é declamada em "Insetos Interiores", que parece retratar a maldade humana, ou sentimentos torpes, ou o pessimismo latentes em nosso ego. E isso é só uma amostra do cárater crítico e reflexivo do trabalho em questão.

domingo, 23 de janeiro de 2011

ALÉM DA IMAGINAÇÃO

Além da Imaginação - 2002
Idealizada por  Rod Serling e apresentada pela UPN, com produção de Ira Steven Behr e Jim Rosenthal entre 2002 e 2003, a série televisiva norte-americana de apenas uma temporada (contendo 44 episódios de 30 minutos, em média) é a continuação da produção, de mesmo gênero (ficção científica) que foi ao ar nos anos 60, com uma repercução impressionante.

Um narrador introduz o tema e a questão polêmica em que um ou mais personagens  se depararão durante aquele episódio: a trama procura por meio da imaginação, supor situações em que o homem teria de tomar uma decisão muito difícil. Essa abordagem faz com que os assuntos perpassem uma reflexão da nossa realidade, resignificando, assim, preconceitos e paradigmas. Cada capítulo é uma história à parte que se propõe a ir além da imaginação, mas, se para além da realidade já está a imaginação, então, "além" da imaginação seria um retorno à realidade?! Bem, é exatamente isso que a série faz, trazendo o imaginado para a concretude, numa tentativa de explicitar, não o sobrenatural, mas, as questões que cercam o nosso viver, individual e social:  nossos valores, crenças, sentimentos; conflitos, angústias ou temores. E é  aqui que o artifício utilizado pelos autores se presta a nós, pois, imaginar é sempre um processo criativo de representação, um esforço da mente em compreender ao mundo e a nós mesmos.

[Destaque para os Episódios:]
"One Night at Mercy"
"Shades of Guilt"
"Cradle of Darkness"
"Night Route"
"The Pool Guy"

sábado, 8 de janeiro de 2011

CRIAÇÃO



O longa-metragem, lançado em 2010, busca apresentar a síntese de uma das obras mais originais de toda a história do pensamento: "A Origem da Espécies" de Charles Darwin. Nele é narrada toda a trajetória dramática da pesquisa do naturalista britânico, que sabia que suas ideias gerariam muita polêmica,  e que portanto, deveriam ser realizadas sigilosamente. Embora seu mais proeminente livro fosse um choque para a sociedade vigente à época, logo ganhou visibilidade na comunidade científica mundial, dada a sua genialidade. 

A noção denominada hoje por darwinismo não fora constituída pelo cientista, mas por aqueles que interpretaram sua obra (ou viam nela um refúgio para suas  próprias conjecturas). Darwin nunca pretendeu por em choque as concepções sobre a origem da vida, ele era  apenas um homem importunado por questionamentos de sua mente, os quais o levara a investigar incansavelmente a realidade por ele observada (e é aqui que entra o pressuposto filosófico), ele ousou "xeretar" a vida com as ferramentas que possuía.  Estudou medicina e teologia e por isso mesmo nunca supôs que a Seleção Natural fosse a fonte criadora, pois, para haver seleção natural deveria haver algo a ser selecionado. Então, não se tratava de colocar em oposição deus e a teoria da evolução, mas, de entender como poderia existir tamanha variedade de espécies vivas, tão complexas e tão distintas, tão  semelhantes e tão únicas. (Na verdade não há sequer um ser repetido na natureza. Repetir representa limitação, mas, a Fonte Criadora é inesgotável.) Esse "maravilhamento" é o que inquietava Darwin.

domingo, 2 de janeiro de 2011

REFLITA-SE




O primeiro CD da banda carioca R.SIGMA, que desponta no cenário da música independente, traz um repertório que pretende mobilizar pensamentos, ou como diz um dos seus integrantes: "movimentar assuntos". Sem cair em estereótipos no que se refere a gêneros musicais, e quebrando a banalidade das letras que ouvimos por aí, o álbum cumpre com excelência a proposta ao poetizar e problematizar temas como: a crença, a liberdade, o ego, a morte, a artificialidade das coisas, a verdade. A obra é um convite à reflexão sobre quem somos, mas também, sobre quem queremos ser, tal qual a enigmática inscrição grega milenar "Conhece a Ti Mesmo". A valorização da Arte em sua forma mais genuína é claramente evidenciada no interdiscurso das composições, na estética das interpretações, nas melodias (e também nos textos poético-filosóficos postados no blog da banda, a qual, disponibiliza todas as músicas, gratuitamente, para download, em seu site oficial: http://rsigma.com.br).

A entrevista para o site Roquemrou revela um pouco das intenções e dos ideais de R.SIGMA: http://roquemrou.wordpress.com/2010/08/30/roquemrou-entrevista-r-sigma/

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Blog Oficial

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

CIRQUE DU SOLEIL


Fundado em 1984 por Guy Laliberté, um ex-artista de rua, o Cirque du Soleil revolucionou a arte circense no mundo. A companhia que tem sua sede no Canadá já passou três vezes pelo Brasil, emocionando de maneira vertiginosa seus espectadores. Isso porque a trupe realiza um espetáculo inigualável, que mistura técnicas do circo de Moscou, comédia Dell´art e influências do teatro mambembe; além de contar com uma trilha sonora contundente e encantadora (composições exclusivas de cada apresentação, e executadas ao vivo). A beleza dos números é tão intensa que chega a minimizar os perigos que cada talentoso (e porque não dizer  corajoso) artista enfrenta durante sua exibição, mas isso, só para os olhares mais desatentos.

Para a Filosofia, o que mais interessa são as metáforas presentes em cada parte do show, que seguramente não possuem apenas função estética, pois emerge do pensamento não difuso de seus idealizadores. Trata-se de uma obra concisa, uma narrativa imagética que inafugentavelmente transmite uma mensagem. Assim, permite uma abundância de análises críticas das ações e concepções humanas ali representadas, uma vez que os espetáculos, de antemão, se propõem a contar uma história - história essa que não pode deixar de ser fruto da imaginação dos homens, que por sua vez, só podem imaginar a partir da realidade por eles apreendida.
[Destaque para Corteo, Quidam e Midnight Sun.]

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A HISTÓRIA DAS COISAS


Annie Leonard é uma ambientalista norte-americana; com seus estudos, por mais de 10 anos, foi possível produzir documentários estarrecedores como o "Story Of Stuff" (A História das Coisas). Neste, ela deflagra como a atual economia de materiais, adotada pela humanidade para garantir o desenvolvimento das sociedades modernas, é um sistema em crise, que não pode subsistir por muito tempo, pois já está ocasionando a escassez dos recursos naturais e compremetendo toda a forma de vida no planeta. Eis o paradoxo espantoso: o progresso que tanto buscamos, e agora vivemos, é o mesmo que ameaça nossa existência.

Se os dilemas humanos é algo de que se ocupa a Filosofia, então, faz sentido refletirmos sobre o exposto nesse vídeo, o qual, almeja dar ciência do problema  e estimular o pensamento dos homens em busca das possíveis soluções.

Vídeo original disponível em: www.storyofstuff.org

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

HORTON, E O MUNDO DOS QUEM


A história traz o protagonista Horton, que um dia houve um pedido de socorro vindo de uma partícula de poeira que flutua no ar. Preocupado, ele a protege, abrigando-a num dente-de-leão (uma pequenina flor, por assim dizer), pois descobre ali existir uma civilização inteira de minúsculos seres: a Quenlândia. Eles tem tecnologia de ponta, um prefeito e tudo que precisam para viver. Mas não imaginam a infinitude que existe fora de seu próprio mundinho, muito menos ainda, têm ciência da fragilidade de suas vidas.

A relação com a Filosofia se dá no momento em que comparamos o pequeno grão de areia ao nosso próprio planeta, pois, de igual modo, ele é apenas um pedacinho de matéria flutuando no espaço infinito, não é mesmo? Seguindo a analogia, o dente-de-leão poderia ser a nossa galáxia, e Horton, deus.
A animação é do ano de 2008 e foi produzida por Seuss - também escritor. É uma adaptação que suscita questionamentos como: "existe um deus lá fora que ouve e atende pedidos? será que esse deus a tudo controla minuciosamente ou tão somente contempla sua obra como um pintor que acaba de finalizar um magnífico quadro?"